segunda-feira, 15 de junho de 2015

O aperto no coração do cozinheiro!

Certa vez estava trocando uma ideia com Manuel Barral (amigo cozinheiro que dividiu cabine comigo quando trabalhamos no mesmo Navio de Cruzeiro) numa noite daquelas que você tem o privilégio de ir para o open deck e ver um céu estrelado ao mesmo tempo que escuta o barulho do motor do barco girando no mar.  Nós conversávamos sobre nossas experiências na cozinha. Ele falava sobre trabalhar em um restaurante e voltar pra casa de bicicleta já de madrugada em Salvador, e eu sobre um hotel que trabalhei e as mercadorias só chegavam em cima da hora. Foi ai que o Manuel soltou a frase perguntando: -Você já sentiu aperto no coração? Juro que morri de rir, pois Manuel expressou naquela hora o maior medo do cozinheiro, o aperto no coração de parecer que não vai dar tempo de terminar, vai entrar o garçom, o gerente, o cliente, todos armados com cutelos para tomar sua cabeça... Fora aquelas frases: Cuida! Rápido! Tem que abrir a linha, vou passar o rádio pro chefe! E muitas vezes o pobre do cozinheiro nem é culpado assim, por vezes o material não chega na hora, trabalha-se com equipe reduzida, o fogão não opera direito, a masseira quebra e o pão vai ter que ser feito na mão...

Preparando a noite tropical do revellion. Noite de típico aperto no coração!



  Bravos cozinheiros sofredores, que vivem a adrenalina a mais de mil! O aperto no coração é o maior motor do cozinheiro... Cozinheiros que não sofrem de aperto no coração não podem ser bons cozinheiros, pois é a vontade de que ele acabe que te faz dobrar a atenção, que te estimula a acertar... Ao mesmo tempo, quando algo dá errado, você sabe que o mundo não acabou (apesar de aquele poder ter sido o pior serviço da sua vida).  O que resta é após uma noite de muito trabalho, passar na barraquinha da esquina e comer aquele "cachorrão" para comemorar ou sofrer, mas, apenas por essa noite! Amanhã o coração volta a apertar!

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