Certa
vez estava trocando uma ideia com Manuel Barral (amigo cozinheiro que dividiu
cabine comigo quando trabalhamos no mesmo Navio de Cruzeiro) numa noite
daquelas que você tem o privilégio de ir para o open deck e ver um céu estrelado ao mesmo tempo que escuta o
barulho do motor do barco girando no mar.
Nós conversávamos sobre nossas experiências na cozinha. Ele falava sobre
trabalhar em um restaurante e voltar pra casa de bicicleta já de madrugada em
Salvador, e eu sobre um hotel que trabalhei e as mercadorias só chegavam em
cima da hora. Foi ai que o Manuel soltou a frase perguntando: -Você já sentiu
aperto no coração? Juro que morri de rir, pois Manuel expressou naquela hora o
maior medo do cozinheiro, o aperto no coração de parecer que não vai dar tempo
de terminar, vai entrar o garçom, o gerente, o cliente, todos armados com
cutelos para tomar sua cabeça... Fora aquelas frases: Cuida! Rápido! Tem que
abrir a linha, vou passar o rádio pro chefe! E muitas vezes o pobre do
cozinheiro nem é culpado assim, por vezes o material não chega na hora,
trabalha-se com equipe reduzida, o fogão não opera direito, a masseira quebra e
o pão vai ter que ser feito na mão...
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| Preparando a noite tropical do revellion. Noite de típico aperto no coração! |
Bravos cozinheiros sofredores, que vivem a adrenalina a mais
de mil! O aperto no coração é o maior motor do cozinheiro... Cozinheiros que
não sofrem de aperto no coração não podem ser bons cozinheiros, pois é a
vontade de que ele acabe que te faz dobrar a atenção, que te estimula a
acertar... Ao mesmo tempo, quando algo dá errado, você sabe que o mundo não
acabou (apesar de aquele poder ter sido o pior serviço da sua vida). O que resta é após uma noite de muito
trabalho, passar na barraquinha da esquina e comer aquele "cachorrão" para
comemorar ou sofrer, mas, apenas por essa noite! Amanhã o coração volta a
apertar!

'Bravos cozinheiros sofredores, que vivem a adrenalina a mais de mil'
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